Como o lifelong learning pode impactar a sua empresa?

Para você, o aprendizado tem data para acabar? Concluir uma graduação ou pós-graduação significa encerrar seu ciclo de aprendizagem? Se você respondeu “sim” para essas perguntas, talvez seja importante repensar essas ideias.

 

 

O mundo está mudando e, consequentemente, o mercado de trabalho também. Nesse ambiente em constante transformação, pensar em educação associada apenas à escola e à educação formal acaba deixando de fazer sentido.

 

 

Grande parte da população brasileira passa, ao menos, dez anos na escola – se incluirmos a graduação, esse tempo é ainda maior! Ali, o aluno tem a oportunidade de absorver conhecimentos e maximizar potencialidades, muitas vezes, com o único objetivo de conquistar um emprego melhor, obter estabilidade financeira e ser bem-sucedido. Ao fim dessa trajetória, certos de que tudo já foi conquistado, muitos acabam por encerrar também seu ciclo de aprendizagem.

 

 

Mas no contexto em que estamos vivendo, uma expressão tem ganhado força e trazido um novo olhar sobre a aprendizagem: lifelong learning, ou seja, o aprendizado ao longo da vida.

 

 

A ideia do lifelong learning é promover um aprendizado contínuo, de forma flexível e diversa, que vai além da escola tradicional e permite que uma pessoa aprenda em qualquer tempo ou lugar, tornando-se assim um eterno aprendiz.

 

 

No Brasil, o lifelong learning ainda caminha a passos lentos, mas num mercado de trabalho altamente competitivo, somente ter vontade de trabalhar e conhecimentos técnicos não são mais suficientes. Agora, é preciso ir além e desenvolver novas habilidades e novos conhecimentos, o que só pode acontecer quando há disposição para o aprendizado contínuo.

 

 

O conceito de lifelong learning se baseia em quatro pilares: aprender a conhecer a cultura em geral e de forma ampla; aprender a fazer não só no âmbito profissional, mas estar preparado para enfrentar todo tipo de situação; aprender a conviver com o outro para lidar com as diferenças e interdependências de forma mais segura e tranquila; e aprender a ser para conseguir desenvolver competências da melhor forma possível, de acordo com seus valores, com autonomia e responsabilidade.

 

 

Ao assumir uma postura que valoriza o constante aprendizado, o lifelong learner, ou seja, o eterno aprendiz se torna uma pessoa mais preparada para um mundo em constante mudança, vê mais oportunidades abrindo-se à sua frente e, principalmente, consegue antecipar-se para acompanhar as transformações da contemporaneidade.

 

 

Investir em cursos de qualificação, que ampliem os conhecimentos adquiridos nas escolas tradicionais, estar atento às tendências de mercado, explorando seus potenciais e possíveis aplicações, entre outras atitudes podem ser alguns passos importantes para a jornada de conhecimento contínuo.

 

 

Apostar no conceito de lifelong learning é apostar em busca contínua e automotivada pela atualização de conhecimento. Empresas que contratam colaboradores que assumem esse tipo de postura, contam com profissionais mais preparados para enfrentar desafios, mais motivados e engajado em mudanças, prontos para desenvolver o pensamento estratégico diante de imprevistos e, certamente, capazes de obter mais e melhores resultados.

 

 

Mas é claro que as empresas também podem contribuir para o desenvolvimento de seus colaboradores, oferecendo treinamento, incentivando seu desenvolvimento pessoal e profissional, promovendo oficinas e estimulando a realização de cursos. Além disso, contratar aprendizes, recém-saídos do ensino médio, cheios de sonhos e ainda sedentos pelo saber e por aprender, como os jovens do PROA, pode ser outra boa forma de começar a trabalhar o conceito de lifelong learningdentro das corporações.

 

 

Desde o começo de 2020, temos visto o tempo passar cada vez mais rápido, trazendo mudanças frequentes: o que ontem era atual, hoje não é mais, e cabe a nós acompanhar tudo isso. Seja para crescer, simplificar operações ou melhorar a experiência do colaborador e de seus clientes, as incertezas em relação ao presente e ao futuro que vieram com a pandemia trouxeram também a necessidade urgente de adaptação rápida.

 

 

Nesse sentido, ser resiliente e flexível se tornou pré-requisito para qualquer posição em qualquer processo seletivo. Mas nem sempre é fácil transformar um ambiente de trabalho tradicional, que tem por padrão ser rígido, com processos já estruturados e difícil de ter fluxos alterados.

 

 

Muitos líderes encontram dificuldades em criar uma cultura na própria empresa que estimule a rápida adaptação e a pergunta que vem à mente nesse momento é: como nos adaptar a um mundo imprevisível e fazer com que nossas equipes estejam alinhadas e se articulem rapidamente para se adequar a novos cenários e novas necessidades em tão pouco tempo?

 

 

Adaptar-se é muito mais do que mudar a forma de trabalhar de uma equipe, mas envolve um espectro de mudanças de comportamento, quebra paradigmas, repensar planos e estratégias, e, principalmente, aumentar a flexibilidade.

 

 

Confira algumas dicas que poderão ajudar sua equipe a se adaptar melhor às mudanças que estão ocorrendo todos os dias!

 

 

1.     A boa e velha máxima “Seja a mudança que você quer ver” pode dar um bom direcionamento para ajudar sua equipe a se adaptar melhor aos novos cenários. Se você deseja que ela se torne mais adaptável, terá que ter esse perfil. Isso significa ser mais receptivo a novas ideias, agir rapidamente quando as condições mudarem e enxergar as mudanças e os desafios como oportunidades. Ou seja: lidere mostrando para sua equipe a importância e os benefícios de ser flexível.

 

 

2.     Pode parecer complicado manter as prioridades em um mundo em constante transformação, mas, para entregar resultados, sua equipe deve primeiro entender no que e para que finalidade precisa trabalhar. Todos devem estar alinhados com as expectativas para que possam voltar todo seu esforço para um fim predefinido, ou seja, independente do que aconteça, o objetivo deve permanecer o mesmo. Com uma meta traçada, é mais fácil ajustar e modificar os processos em torno dela.

 

 

3.     Em momentos de mudança, não há motivo para continuar fazendo as mesmas coisas do mesmo jeito. É tempo de estimular a flexibilidade e a criatividade. Apostar em jovens talentos, como os jovens aprendizes, que costumam ser cheios de ideias e estar sempre abertos a experimentar, capacitando-os para trabalhar em soluções rápidas e inovadoras pode ser uma boa forma de apoiar a equipe e promover a transformação.

 

 

4.     Estimular um ambiente colaborativo, que promova a diversidade de pensamento, sem julgamentos, permitirá também que a sua equipe amplie horizontes e tente novas soluções, sem medo. Assim, todos têm a oportunidade de compartilhar ideias e se desenvolverem da mesma forma. Além disso, a colaboração muitas vezes gera insights que um indivíduo sozinho nem sempre consegue ter.

 

 

5.     Invista no jovem. Esse grupo de pessoas costuma estar sempre disposto a aprender e desenvolver novas habilidades. Traga-os para seu time e dê espaço para que saiam da zona de conforto, repensando processos, estudando tendências e desenvolvendo habilidades.

 

 

Ter uma equipe capaz de abraçar e se adaptar às prioridades que mudam com frequência em um mundo em constante transformação pode fazer toda a diferença entre o sucesso e o fracasso atualmente, oferecendo mais possibilidades de bons resultados, não importa o que aconteça.

Imagine olhar para o lado, não se reconhecer em nada e perceber que as imagens que estão ao seu redor não se parecem com você, não dialogam com quem você é e não te representam.

 

 

Há muito tempo, essa tem sido uma situação comum na vida de diversas pessoas, principalmente no ambiente corporativo. Segundo um relatório da ONU Mulheres, 75% dos personagens que aparecem trabalhando em uma propaganda são homens e 62% deles são apresentados em funções de liderança, enquanto apenas 3% das mulheres aparecem nessa posição. Se pararmos para pensar, esse é um retrato fiel da nossa realidade.

 

 

Olhando para a população negra, os números são muito expressivos também. De acordo com o IBGE, 55,8% dos brasileiros são negros, mas sua presença no mercado de trabalho ainda é muito pequena. Em comparação aos brancos, apenas 29,9% dos negros ocupam cargos gerenciais. Dados do Instituto Ethos, OSCIP cuja missão é mobilizar e ajudar empresas a gerirem seus negócios de forma responsável, indicam que 58% dos aprendizes e trainees são negros, mas apenas 6,3% chegam a ocupar cargos de gerência e 4,7% se tornam executivos. Para as mulheres negras, a representação é ainda menor no mercado de trabalho.

 

 

Isso significa que há, de fato, um abismo entre brancos e negros, assim como entre homens e mulheres, e entre outros grupos de pessoas, como a população trans, principalmente quando nos voltamos para o ambiente corporativo.  Mas por que isso acontece? A resposta é simples: falta de representatividade.

 

 

A boa notícia é que, ainda que a passos lentos, as empresas vêm demonstrando um maior interesse em ter um ambiente mais diverso e acolhedor. Cada vez mais, as empresas têm sido cobradas a fim de que promovam mais inclusão e diversidade da porta para dentro. As eleições municipais de São Paulo, em 2020, refletiram um pouco desses primeiros passos na promoção da representatividade, com um recorde de vereadores trans eleitos – mas ainda é pouco: outros 900 municípios não elegeram sequer uma mulher.

 

 

A inclusão de alguns poucos representantes de determinados grupos não dá conta de promover a representatividade necessária. Nesse sentido, é preciso pensar em representatividade como um reflexo demográfico da população que se busca incluir. Mas como fazer isso?

 

 

Promover políticas de inclusão para incentivar e ampliar a presença desses grupos sub-representados, definir metas de contratação para diminuir a distância do mercado de trabalho para esses profissionais, bem como reduzir a desigualdade salarial são algumas das ações que podem ser feitas em qualquer empresa a fim de se tornar mais diversa.

 

 

Criar um ambiente acolhedor, livre de preconceito e discriminação, inclusivo e igualitário pode colaborar significativamente para a promoção da representatividade. Com isso, criam-se novos perfis de liderança que, certamente, servirão de inspiração e referência a tantos jovens, como os PROANES, que entram no mercado de trabalho pela primeira vez sem sentir representados, mas que passarão a acreditar muito mais em si e nas oportunidades que se colocarão à sua frente.

 

 

Vamos juntos transformar essa realidade?

Desde o início de 2020, o que antes era normal e já estava definido precisou ser reformulado. Estratégias tiveram que ser redesenhadas, metas recalculadas, planos refeitos, tudo para que empresas e empregados pudessem se adaptar a um novo momento.

 

 

 

Mas e o mercado de trabalho? Será que o home office veio mesmo para ficar? As instituições, realmente, ficaram mais justas e diversas? A contratação de novos talentos vai permanecer? 

 

 

 

 

Muito do que se tem falado sobre tendências no ambiente corporativo promete se concretizar, mas ainda há muitos mitos e muita especulação que só poderão ser confirmados com o passar do tempo.

 

 

 

 

Entre os mitos, o mais popular é o de que o futuro será 100% remoto. Ainda que pesquisas indiquem que quase metade dos funcionários que estão operando nesse modelo atualmente continuem no pós-pandemia, a necessidade de estabelecer relações sociais e desenvolver projetos colaborativos é inegável ao ser humano. Ainda que algumas organizações tenham reconhecido a crise humanitária e priorizado o bem-estar dos funcionários, outras acabaram por fazer com que os limites entre vida pessoal e profissional fossem ultrapassados, indicando que talvez o ideal seja o equilíbrio, assim o futuro tende a ser híbrido, num misto entre home office e escritório.

 

 

 

 

Para completar, milhões de empregos foram perdidos em meio à pandemia e, apesar dos números de recontratações estarem crescendo, muitos gestores perceberam ser possível continuar com suas demandas e entregas mantendo um número menor de colaboradores. Novas tecnologias começaram a ser adotadas, substituindo a mão-de-obra humana e os líderes passaram a procurar talentos dentro de sua própria equipe, redefinindo currículos e perfis de acordo com as necessidades. Esse tipo de ação promove e estimula o desenvolvimento de novas competências, fazendo com que o funcionário se envolva e colabore ainda mais com a empresa, criando oportunidades para si mesmo e desenvolvendo habilidade competitivas para suas carreiras. 

 

 

 

 

Oportunidades em modelos de trabalho antes pouco explorados também surgiram e estão virando tendência nesse momento, como os temporários e os com jornada reduzida. 32% das organizações já estão substituindo funcionários em tempo integral por trabalhadores temporários. Apesar dos salários um pouco menores nesses casos, essas podem ser boas oportunidades para o jovem que está iniciando sua jornada em busca de uma oportunidade de emprego, mas precisa conciliar a rotina de estudos com as demandas do trabalho.

 

 

 

 

Mas a pandemia trouxe também boas perspectivas em alguns aspectos. Empresas mais preocupadas com o bem-estar financeiro, físico e mental de seus funcionários surgiram, benefícios como aumento da licença médica, assistência financeira devido ao home office, horário ajustado a fim de evitar sobrecarregar colaboradores, entre outros vieram para melhorar as condições de trabalho e, aparentemente, prometem continuar no período pós-pandêmico.

 

 

 

 

A pandemia também colocou em pauta um tema que deveria fazer parte da cultura de qualquer empreendimento, mas infelizmente ainda é pouco observado: a inclusão e a diversidade. Inúmeras companhias começaram a levantar bandeiras relacionadas às mais diversas causas, fizeram declarações e assumiram compromissos que exigirão esforços e orçamentos significativos para serem cumpridos e, finalmente, mudarem uma cultura há muito perpetuada.

 

 

 

 

Isso porque tornar-se inclusiva, diversa e engajada, não se trata apenas de incluir candidatos negros nos processos seletivos, contratar um funcionário especial ou dar oportunidade para um jovem de baixa renda, mas, principalmente, de incluir a diversidade e a inclusão na cultura da empresa e em todas as suas iniciativas e decisões de negócios.

 

 

 

 

Ainda não se sabe exatamente o que acontecerá no futuro pós-pandemia. Empresas e pesquisadores estão prevendo que uma transformação radical e permanente acontecerá, mas num mundo ainda incerto fica difícil identificar o que é factível e o que não é. Talvez o melhor caminho nesse momento seja pensar nas pequenas ações que poderão ser mantidas a longo prazo, independente dos rumos que tomarmos.

 

 

 

 

Investir no bem-estar de funcionários, desenvolver jovens talentos apoiando projetos como o PROA, promover a diversidade e transformar o ambiente de trabalho em um local mais inclusivo contratando jovens que estão em busca de uma chance e cheios de ideias talvez pareçam ações pequenas, mas podem fazer muita diferença não só no futuro, mas no agora. Porque, na verdade, o futuro já começou e é hoje.

Temos uma geração de jovens com competências técnicas e talentos sendo desperdiçados. São pessoas que, ainda que possuam habilidades e muito potencial, não conseguem ter acesso a oportunidades para construírem suas próprias histórias de sucesso.

 

Mas segundo o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), responsável por sugerir políticas públicas que garantam o bem-estar e os direitos dos jovens entre 15 e 29 anos, esse grupo pode ser determinante na recuperação econômica do Brasil pós-pandemia. Entretanto, isso não será possível se o jovem não tiver apoio. 

 

O cenário muda a partir do momento em que empresas percebem que seu papel na economia vai muito além de pagar salários e impostos, e descobrem que podem atuar de forma muito mais efetiva na transformação de pessoas e na concretização de sonhos, tornando planos de vida factíveis e, ainda, beneficiando-se disso.

 

Nesse sentido, poder público e instituições sociais e privadas precisam se conscientizar de seu dever como agentes transformadores capazes de promover o potencial produtivo dos jovens brasileiros, fortalecendo sua força inata e conduzindo sua energia e criatividade para ações que proporcionem mudanças efetivas não só em sua vida, mas na sociedade como um todo.

 

Como realizar a inclusão produtiva do jovem no mercado de trabalho com tão poucas iniciativas e programas públicos com esse fim? 

 

A resposta para essa pergunta está na união de empresas privadas dispostas a realizar grandes transformações com ONGs como o PROA e outras instituições, que capacitam milhares de jovens, desenvolvendo competências técnicas e sociocomportamentais, mas, principalmente, servindo como ponte para os conduzir ao mercado de trabalho.

 

Jovens provenientes dessas instituições veem seu plano de vida tomar forma e passam por um processo de aprendizado e desenvolvimento técnico e emocional contínuo. Como resultado, a empresa que contrata esse jovem encontrará entre seus colaboradores um profissional disposto a passar por um processo de upskilling para aprimorar suas habilidades continuamente e se tornar ainda melhor, agregando muito mais valor à sua função e construindo uma carreira sólida e em sintonia com os valores da empresa.

 

E as vantagens para quem contrata esse profissional não param por aí. Entre outros benefícios para o empregador, pessoas mais jovens costumam ser mais proativas, ter mais energia e disposição para crescer, além de estarem sempre atualizadas e acostumadas ao uso das novas tecnologias. A empresa ainda pode se beneficiar com a contratação de um profissional sem vícios, sem preconceitos e com maior tendência a criar senso de pertencimento à cultura da empresa e vestir a camisa do local de trabalho. 

 

Tudo isso sem falar na responsabilidade social, evitando que o futuro do jovem fique comprometido e colaborando para um país com mais trabalho e menos desigualdade. 

 

Como o ex-presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, certa vez, afirmou “nem sempre podemos construir o futuro para nossa juventude, mas podemos construir nossa juventude para o futuro”. Quando interesses diversos se juntam em torno de uma causa, grandes transformações podem acontecer, especialmente em momentos de crises e incertezas como o que temos vivido atualmente.

A pandemia do coronavírus trouxe impactos para toda a sociedade e atingiu, especialmente, as mulheres, aumentando ainda mais o abismo de gênero e as diferenças no mercado de trabalho.

 

Enquanto as mulheres representam mais da metade da força de trabalho, em todo o mundo, somente 25% delas ocupam vagas de emprego em áreas STEAM, ou seja, Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. E, olhando especificamente para a tecnologia, os números não são muito diferentes: dados do IBGE mostram que apenas 20% dos profissionais de TI são mulheres.

 

Segundo pesquisa da Microsoft, meninas começam a se interessar por disciplinas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática aos 11 anos, mas perdem o interesse aos 15, seja pela pressão no ambiente escolar, que muitas vezes define as disciplinas de humanas como as ideais para meninas, seja por falta de apoio ou até mesmo por falta de modelos em que se inspirar. Consequentemente, faculdades na área de exatas e tecnologia ainda são espaços pouco ocupados por elas.

 

Paralelamente, mulheres que se formam nessas áreas encontram dificuldade para entrar num mercado de trabalho, tradicionalmente, dominado por homens. E, quando isso acontece, muitas vezes acabam ocupando posições nas áreas de marketing, RH, vendas e precisam provar que seu trabalho tem qualidade igual ou superior ao dos homens para conquistar respeito e um lugar ao sol.

 

Mas como ultrapassar as barreiras de gênero para promover a inclusão, de forma igualitária, das mulheres no mercado de tecnologia? 

 

A resposta para essa pergunta está na educação, que permite a todos começar a enxergar o mundo de maneira mais ampla. Nesse sentido, toda a sociedade pode se envolver e contribuir para que ocorra uma mudança. 

 

Pais e responsáveis, por exemplo, são peça-chave nessa transformação. São eles que podem quebrar estereótipos e preconceitos de gênero desde muito cedo, ainda na infância, dentro de casa, incentivando meninas a ampliarem seu horizonte cor-de-rosa e se envolverem também com brinquedos, cursos, livros e outros itens relacionados à tecnologia.

 

Além disso, buscar iniciativas que permitam que jovens meninas pensem na área de tecnologia como uma opção também para elas e não só para os meninos pode ser uma boa forma de derrubar as barreiras de gênero na área. Projetos como o PROPROFISSÃO 4.0, desenvolvido pelo Instituto PROA, criam oportunidades para a inserção de jovens no mercado de trabalho através da tecnologia. Assim, todos os semestres cerca de 150 jovens, independente de gênero, podem participar de um curso profissionalizante com ênfase em Tecnologia e Linguagem de Programação – nesse semestre os jovens estão aprendendo a linguagem Java. Com isso, abrem-se portas para que as jovens do sexo feminino também sejam orientadas em suas carreiras profissionais, enxerguem novas possibilidades e conquistem seu espaço nessa área definitivamente.

 

As empresas também podem contribuir muito para um ambiente corporativo mais igualitário, apoiando a qualificação profissional de jovens meninas na área da tecnologia, dando mais visibilidade às mulheres que se destacam na área para que se tornem referência para outras meninas e, principalmente, promovendo políticas internas de equidade de gênero e incentivando a contratação de mulheres nessa área, sejam jovens em busca do primeiro emprego, sejam líderes que se tornarão exemplo para que outras meninas se inspirem e possam crescer ainda mais.

 

Em um momento em que os avanços tecnológicos estão se tornando cada vez maiores e mais necessários, abrir as portas para a diversidade, principalmente, como medida social e estratégica pode ser essencial para um futuro muito melhor.

Por todo o mundo, a COVID-19 tem afetado a sociedade nos mais diversos aspectos, e alguns especialistas preveem que o impacto da pandemia, principalmente na economia, se estenda por, pelo menos, mais cinco anos. Nesse sentido, olhar para os jovens torna-se essencial. 

 

Crises anteriores já vinham impactando esse grupo que, no Brasil, ocupava o posto dos cidadãos com mais dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Mas agora a situação tem se agravado e, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), um em cada cinco jovens parou de trabalhar por causa da COVID-19 no mundo.

 

No Brasil, infelizmente, o cenário não é muito diferente. Segundo o IBGE, no terceiro trimestre de 2020, auge da pandemia, o desemprego entre pessoas com idade de 18 a 24 anos chegou a 31,4%. Além disso, a pandemia trouxe uma queda de 84,9% na contratação de jovens aprendizes, destruindo o sonho de muitos que estavam prontos para entrar no mercado de trabalho. 

 

Falta de acesso à educação, estudos interrompidos, dificuldade de obter qualificação profissional, vagas reduzidas são alguns dos desafios que o jovem passou a enfrentar com a pandemia. Análises iniciais da atual crise levaram a ONU a cunhar o termo “geração lockdown” para se referir a essa população que, agora, vai levar mais tempo para se formar, não verá muitas perspectivas de emprego à sua frente, abandonará os estudos, terá que lidar com emoções à flor da pele e desistirá de seus sonhos.

 

Definitivamente, o jovem está no epicentro do furacão causado pelo coronavírus. 

 

A falta de políticas públicas, a interrupção dos estudos, a suspensão de programas educativos, a redução nas vagas de emprego e a própria perda da renda pode trazer sérias consequências a longo prazo não só para o jovem, mas para toda a sociedade.

 

Nesse cenário, problemas foram acentuados e as desigualdades reforçadas. Na busca por um emprego, sai na frente quem tem mais preparo, mais condições de arcar com o custo do transporte ou alguma experiência profissional, limitando cada vez mais as oportunidades para quem está tentando entrar no mercado de trabalho. 

 

Mas como conquistar tudo isso sozinho em meio a uma pandemia? Como evitar que o jovem seja obrigado a ingressar em regimes de trabalho precarizados, sujeitando-se a baixos salários? Como evitar problemas emocionais, como ansiedade, depressão e desânimo? 

 

Refletir sobre o papel desse jovem na sociedade e pensar coletivamente em estratégias, ações e políticas de inclusão é urgente. Repletos de sonhos e energia, eles são a camada mais vibrante da sociedade e não podem perder a esperança de se tornarem protagonistas de um mundo melhor.

 

Capacitá-los por meio de cursos que desenvolvam competências técnicas e socioemocionais, como é feito no PROA, é um dos melhores caminhos a serem seguidos. Jovens com pouca oportunidade passam a ter a chance de olhar para si, identificar seu potencial e construir um novo plano de vida, recuperando a autoestima e abandonando a sensação de impotência e fracasso.

 

Além disso, a iniciativa privada tem papel fundamental no acolhimento e na inclusão produtiva do jovem brasileiro. Poucas empresas sabem, mas apostar no capital humano jovem tem um bom custo-benefício e pode ser um investimento certeiro a longo prazo. 

 

Parcerias com empresas dispostas a abrir suas portas para receber esse grupo cheio de vontade de dar o primeiro passo na construção de uma nova história permitem ao jovem não só concretizar seu plano de vida e seus sonhos, mas também canalizar sua energia para as transformações necessárias para a formação de uma sociedade muito mais justa e menos desigual.