Diversidade e Inclusão LGBT+ no mercado de trabalho

Sem opiniões, personalidades e características diferentes, não há como nos preparar para um mundo em constante transformação.

Texto: Alini Dal Magro
Ilustração: Gustavo Pedrosa
Capa

Segundo um mapeamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, apenas 13% das travestis e 24% das mulheres trans moradoras da cidade têm um emprego formal. Outro levantamento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais em dezembro de 2020 mostrou que 94% dos entrevistados acreditavam que o mercado de trabalho não está aberto, nem preparado para a contratação de pessoas trans.

 

Esses dados são assustadores, mas ainda mais surpreendente foi uma pesquisa realizada pelo Center for Talent Innovation que constatou que 33% das empresas existentes no Brasil não contratariam pessoas LGBTQIAP+ para cargos de chefia e 41% das pessoas desse grupo afirmaram já ter sofrido algum tipo de discriminação relacionada à sua identidade de gênero no local de trabalho.

 

Os números são altos e, infelizmente, refletem uma realidade cruel que precisa ser combatida e tratada com mais cuidado e atenção.

 

Pessoas LGBTQIAP+ costumam sofrer discriminação ao longo de toda a vida, o que, em muitos casos, impede que tracem uma trajetória e caminhem nela para conquistar seus objetivos. Nesse cenário, vemos jovens desistindo de concluir seus estudos, perdendo oportunidades, deixando de lado sonhos e acabando, por vezes, deixados à margem da sociedade. Outros até conseguem entrar no mercado de trabalho, mas ali sofrem com piadas, com a necessidade de seguir normas que fazem com que apaguem sua identidade, provocando um desconforto tão grande que os leva a desistir.

 

Ainda não podemos contar com leis e políticas públicas que ofereçam sanções aos que praticam atos preconceituosos e garantam a segurança dessa comunidade. Cabe então a nós, como sociedade e empregadores, promover um diálogo aberto sobre o assunto com colaboradores, mostrando a importância da empatia e de um ambiente plural e diverso para o crescimento de todos.

 

Atualmente, há uma tendência entre as empresas de trazer a pauta da diversidade para o centro, mas é preciso que essa pauta saia do papel e, realmente, mais vagas destinadas a essa população sejam abertas e mais contratações aconteçam, engajando colaboradores por meio de palestras, reuniões e, principalmente, fortalecendo e acolhendo esses grupos e suas necessidades para promover a boa convivência entre todos.

 

Sem opiniões, personalidades e características diferentes, não há como nos preparar para um mundo em constante transformação. É a diversidade que faz com que o ambiente de trabalho seja criativo, rico em ideias e inovador. Em uma sociedade tão plural como a nossa, perder talentos por conta de identidade de gênero e preconceitos é inaceitável.