Desafios da igualdade de gênero na tecnologia

Como promover a inclusão de mulheres no mercado de tecnologia.

Texto: Potira Cunha
Ilustração: Gustavo Pedrosa
Capa
A pandemia do coronavírus trouxe impactos para toda a sociedade e atingiu, especialmente, as mulheres, aumentando ainda mais o abismo de gênero e as diferenças no mercado de trabalho.

 

Enquanto as mulheres representam mais da metade da força de trabalho, em todo o mundo, somente 25% delas ocupam vagas de emprego em áreas STEAM, ou seja, Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. E, olhando especificamente para a tecnologia, os números não são muito diferentes: dados do IBGE mostram que apenas 20% dos profissionais de TI são mulheres.

 

Segundo pesquisa da Microsoft, meninas começam a se interessar por disciplinas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática aos 11 anos, mas perdem o interesse aos 15, seja pela pressão no ambiente escolar, que muitas vezes define as disciplinas de humanas como as ideais para meninas, seja por falta de apoio ou até mesmo por falta de modelos em que se inspirar. Consequentemente, faculdades na área de exatas e tecnologia ainda são espaços pouco ocupados por elas.

 

Paralelamente, mulheres que se formam nessas áreas encontram dificuldade para entrar num mercado de trabalho, tradicionalmente, dominado por homens. E, quando isso acontece, muitas vezes acabam ocupando posições nas áreas de marketing, RH, vendas e precisam provar que seu trabalho tem qualidade igual ou superior ao dos homens para conquistar respeito e um lugar ao sol.

 

Mas como ultrapassar as barreiras de gênero para promover a inclusão, de forma igualitária, das mulheres no mercado de tecnologia? 

 

A resposta para essa pergunta está na educação, que permite a todos começar a enxergar o mundo de maneira mais ampla. Nesse sentido, toda a sociedade pode se envolver e contribuir para que ocorra uma mudança. 

 

Pais e responsáveis, por exemplo, são peça-chave nessa transformação. São eles que podem quebrar estereótipos e preconceitos de gênero desde muito cedo, ainda na infância, dentro de casa, incentivando meninas a ampliarem seu horizonte cor-de-rosa e se envolverem também com brinquedos, cursos, livros e outros itens relacionados à tecnologia.

 

Além disso, buscar iniciativas que permitam que jovens meninas pensem na área de tecnologia como uma opção também para elas e não só para os meninos pode ser uma boa forma de derrubar as barreiras de gênero na área. Projetos como o PROPROFISSÃO 4.0, desenvolvido pelo Instituto PROA, criam oportunidades para a inserção de jovens no mercado de trabalho através da tecnologia. Assim, todos os semestres cerca de 150 jovens, independente de gênero, podem participar de um curso profissionalizante com ênfase em Tecnologia e Linguagem de Programação – nesse semestre os jovens estão aprendendo a linguagem Java. Com isso, abrem-se portas para que as jovens do sexo feminino também sejam orientadas em suas carreiras profissionais, enxerguem novas possibilidades e conquistem seu espaço nessa área definitivamente.

 

As empresas também podem contribuir muito para um ambiente corporativo mais igualitário, apoiando a qualificação profissional de jovens meninas na área da tecnologia, dando mais visibilidade às mulheres que se destacam na área para que se tornem referência para outras meninas e, principalmente, promovendo políticas internas de equidade de gênero e incentivando a contratação de mulheres nessa área, sejam jovens em busca do primeiro emprego, sejam líderes que se tornarão exemplo para que outras meninas se inspirem e possam crescer ainda mais.

 

Em um momento em que os avanços tecnológicos estão se tornando cada vez maiores e mais necessários, abrir as portas para a diversidade, principalmente, como medida social e estratégica pode ser essencial para um futuro muito melhor.